Se você só ler uma coisa Leve pouco e junto ao corpo, combine um ponto de encontro, beba água entre as cervejas e saiba por qual rua você vai sair.
Preciso de ajuda agora →Os telefones
Se já deu problema, começa aqui — e o que quem atende precisa ouvir.
Ajuda agora
- 190 Polícia MilitarEmergência, roubo, agressão
- 192 SAMUPassou mal, desmaiou, se machucou
- 193 BombeirosResgate e primeiros socorros
- 180 Central da MulherAssédio e violência — 24h, de graça
Em perigo agora, ligue 190. Os números abaixo são para denunciar e se orientar depois — não para emergência.
Denunciar
Central da prefeitura, para o que não é polícia (buraco, iluminação, ambulante): 1746 no Rio de Janeiro, 156 em São Paulo. Os dois são gratuitos e funcionam 24h.
Ao ligar, diga o endereço — não o nome do bloco
- Rua e número, ou o cruzamento mais perto. "No bloco tal" não localiza ninguém.
- Não sabe onde está? Procure a placa da rua ou a fachada de um comércio com o endereço.
- Por isso, antes de sair: guarde o endereço da concentração no celular. É o que você vai precisar dizer.
Antes de sair de casa
Cinco minutos aqui resolvem quase todo perrengue lá.
Sinal de celular cai em bloco cheio: é a primeira coisa que some. Marque um lugar fixo, fácil de descrever, fora do miolo da multidão, e um horário pra se reencontrar caso o grupo se separe.
Pochete na frente, por dentro da roupa. Documento original fica em casa — leve a foto no celular. Bolso traseiro e bolsa pendurada são onde o furto acontece.
Leve um cartão, não a carteira. Baixe no app o limite de pagamento por aproximação antes de sair — é o ajuste que mais evita prejuízo em bloco, e leva um minuto. Os golpes de cartão estão no capítulo 5 →
Manda o link do desfile pra alguém que não vai. Se o dia virar, tem gente que sabe onde você estava e a que horas.
Carregue tudo e leve bateria externa. Deixe a localização compartilhada com quem for com você, ative o rastreio do aparelho e ponha senha na tela de bloqueio — não só digital.
No meio do bloco
Calor, aperto e distração — nessa ordem, é o que derruba gente.
Em fevereiro de 2025 o Rio marcou 43 °C, com sensação térmica acima de 50 °C e Nível de Calor 4 no protocolo da cidade — e foi em pleno Carnaval. Uma garrafa de água a cada duas bebidas, e protetor solar de novo depois do meio-dia.
Parado, com o celular na mão e a cabeça baixa, no meio da multidão: é exatamente essa a foto. Se precisar usar, encoste numa parede ou entre numa loja.
Olhe o percurso antes e escolha uma rua transversal de saída. Se apertar demais, ande no sentido contrário ao do bloco — é o jeito mais rápido de sair da massa.
Encontrão que parece acidente, gente empurrando de vários lados ao mesmo tempo, alguém "ajudando" a te levantar. É a hora do furto — e é só um dos seis jeitos. Ver os golpes comuns →
Procurar alguém dentro da multidão não funciona e só afunda você mais. Sai, vai pro ponto, espera. É pra isso que ele existe.
Na volta
O trecho mais esquecido do dia — e o mais arriscado.
Quando o bloco dispersa, todo mundo pede carro ao mesmo tempo, o preço sobe e a rua esvazia. Decida cedo como você volta — e evite andar sozinho por rua vazia depois do bloco.
Placa, modelo e nome, os três. Entre pelo lado da calçada e mande a viagem pra alguém.
Cartão no app primeiro, chip com a operadora depois, boletim por último. A ordem completa está no capítulo 5 → — o prejuízo maior é o que fazem na primeira hora.
Golpes comuns
É o que mais acontece em bloco, e quase sempre pelos mesmos seis jeitos. Nenhum depende de você estar distraído — dois deles funcionam com o cartão dentro do bolso.
Furto de celular no aperto
O encontrão que parece acidente. Gente empurrando de vários lados ao mesmo tempo, ou alguém "ajudando" você a se levantar: enquanto você se equilibra, a mão vai no bolso. Também acontece na hora da foto — celular na mão, cabeça baixa, parado no meio da multidão.
Como evitarCelular no bolso da frente por dentro da roupa, nunca no traseiro nem em bolsa pendurada. Pra usar, encoste numa parede ou entre numa loja. Senha na tela de bloqueio, não só digital.
Maquininha adulterada
A cobrança aparece com um valor e o teclado registra outro, ou a máquina "não passou" três vezes e passou nas três. O vendedor insiste em digitar o valor por você e vira a tela na hora de confirmar.
Como evitarConfira o valor na tela antes de encostar o cartão, e não deixe ninguém digitar por você. Se não passou, peça o comprovante de cancelamento — e confira o app na hora.
Troca de cartão na devolução
Você entrega o cartão, o vendedor passa e devolve outro — parecido, de outro banco ou vencido. Só se descobre horas depois, quando o cartão não funciona em outro lugar. Enquanto isso o seu está sendo usado.
Como evitarNão solte o cartão da mão: aproxime você mesmo. Se precisar entregar, olhe o cartão que voltou — nome, bandeira e os quatro últimos números.
Maquininha encostada em você
O golpe da aproximação: a pessoa passa colada com a maquininha ligada e encosta na sua bolsa, no bolso ou na pochete. O cartão por aproximação paga sem senha até um limite, e é aí que ele passa — você não assina, não digita e não vê nada acontecer.
Como evitarNo app do banco, baixe o limite de aproximação ou desligue a função no dia do bloco. Cartão na pochete da frente, e melhor ainda dentro de outra carteira. Ative a notificação de compra no celular: é o que faz você perceber na hora.
QR code trocado no Pix
O código colado na barraca não é o do vendedor: alguém colou outro em cima, ou o "ambulante" mostra um QR que cai em outra conta. A transferência é instantânea e não tem estorno.
Como evitarAntes de confirmar, leia o nome do recebedor que o app mostra — não o valor, o nome. Se não bater com a barraca, não confirme. Prefira que o vendedor gere o valor no próprio app.
"Empresta o celular pra eu ligar"
Pedido comum e verdadeiro na maior parte das vezes — mas é também o jeito mais fácil de sair andando com um aparelho desbloqueado na mão, e de dentro dele esvaziar a conta.
Como evitarOfereça fazer a ligação você mesmo, no viva-voz, com o celular na sua mão. Não é grosseria: resolve a necessidade da pessoa do mesmo jeito.
Se já aconteceu, nesta ordem — é a ordem do prejuízo
- Bloqueie o cartão no app, e depois o Pix e o limite. A maior parte do dano acontece na primeira hora.
- Bloqueie o chip com a operadora pra ninguém receber os códigos de confirmação por SMS.
- Apague o aparelho à distância (Buscar iPhone, Encontre Meu Dispositivo) — antes de pensar em recuperá-lo.
- Boletim de ocorrência depois, com calma, pela delegacia virtual. Ele serve pra contestar as compras, não pra achar o celular.
Assédio: não é brincadeira de Carnaval
Encoxar, agarrar, beijar sem consentimento e insistir depois do não são crime — durante o Carnaval também. Não existe "clima de folia" que mude isso.
- Se acontecer com você: diga alto. Barulho chama atenção, e atenção é o que faz o assediador sair.
- Peça ajuda a quem está em volta — inclusive a quem está trabalhando no bloco: ambulantes, seguranças e a organização conhecem a rua.
- Procure um agente da Guarda Municipal ou da Polícia Militar no percurso, ou ligue 190. A Central de Atendimento à Mulher é o 180, funciona 24 horas e é de graça.
- Se você viu acontecer com outra pessoa: chegue perto e pergunte se ela está bem. Estar acompanhada já muda o jogo.
Com criança no bloco
Bloco infantil sai de manhã, é mais curto e tem menos gente — é onde criança pequena aproveita de verdade. Mega bloco à tarde, no aperto e no sol forte, não é lugar de carrinho de bebê.
- Telefone no corpo da criança: pulseira de identificação, ou escrito com caneta no braço, por baixo da manga.
- Tire uma foto da criança no dia, vestida como está. Se ela se perder, essa foto vale mais que qualquer descrição.
- Combine com ela a quem pedir ajuda se se perder: alguém trabalhando numa loja, ou uma mulher com criança.
- Protetor, chapéu e água — criança desidrata muito mais rápido que adulto.